As experiências que tive com arte na escola foram bastante limitadas. As aulas de educação artística estavam estruturadas em fazer alguma atividade, orientada pelo professor, utilizando lápis de cor, canetinhas, giz de cera e papel A4. Lembro também de ter utilizado, em algum momento, um livro didático de educação artística com técnicas de desenho, mas não havia nem um pouco de estimulo para a realização das atividades ou qualquer significado para o que estávamos fazendo. A aula de educação artística não tinha muita importância, não tinha nota, não reprovava era apenas recreação.
Em uma das leituras realizadas no módulo da professora Rosa Iavelberg, Fundamentos Do Ensino da Arte, destaquei a seguinte idéia: “A oportunidade para desenhar sistematicamente promove seu progresso na linguagem do desenho. Uma orientação adequada pode ajudar o aluno a avançar ou, ao contrário, um abandono ou uma orientação equivocada nas situações educativas de desenho, pode estagnar o processo criativo.” (IAVELBERG, Rosa. O Desenho Cultivado da Criança: práticas e formação de educadores. Porto Alegre: Zouk, 2006. p 57).
A partir dessa leitura e traçando um paralelo com as aulas do módulo da professora Ângela Maria Rocha, História da Arte e a Experiência do Artista, pude refletir sobre a minha experiência com o desenho.
O meu processo criativo foi estagnado na infância! Isso explica o pânico diante da folha branca e do modelo que eu deveria desenhar nela. Não aprendi a desenhar. Abandonei o desenho justamente no ponto em que deveria ter desenvolvido minha habilidade artística, minha poética pessoal.
Tudo bem! Não dá para voltar no tempo! Aceitei o desafio de experimentar. Foi como voltar à infância. Dá para se imaginar como um analfabeto que aprende a ler e escrever depois de adulto. Aos poucos essa experiência foi ficando prazerosa.
Ter a oportunidade de relacionar aulas práticas e teóricas é de fundamental importância para quem pretende trabalhar com arte educação. Acredito que essa é a melhor forma de entender as questões colocadas pelos estudantes com os quais trabalhamos. Para colaborar com o processo criativo do outro, precisamos entender melhor o nosso próprio processo.
Ana Paula Lima
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